Senado rejeita proposta de retirar de Paulo Freire título de Patrono da Educação

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado rejeitou hoje (14) uma sugestão legislativa que tinha como objetivo retirar do educador Paulo Freire o título de Patrono da Educação Brasileira. A relatora, senadora Fátima Bezerra (PT-RN), classificou a proposta como censura ideológica.

O Sinproja apoia o relatório da senadora e reconhece o trabalho do educador Paulo Freire como um dos mais importantes para a educação brasileira e mundial. “Seria um crime de lesa-pátria revogar a lei que conferiu a Paulo Freire o título de Patrono da Educação Brasileira. No momento de crise e desesperança que o Brasil atravessa, deveríamos na verdade resgatar o legado freireano”, disse a senadora em seu relatório.

Paulo Freire foi declarado Patrono da Educação Brasileira em 2012, em reconhecimento à vida e obra do educador e filósofo. Ele é considerado um dos principais pensadores da história da pedagogia mundial, influenciou o movimento chamado pedagogia crítica. Sua prática didática fundamenta-se na crença de que o estudante assimilaria o objeto de análise fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído.

PERNAMBUCO

Também em Pernambuco, a diretoria do Sinproja esteve ontem, 13, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, em audiência pública convocada pela presidenta da Comissão de Educação e Cultura, a deputada Teresa Leitão (PT). No auditório, professores, estudantes e entidades ligadas à educação assinaram um manifesto em favor da manutenção do título de Patrono da Educação para Paulo Freire. O manifesto lido na audiência considera que a proposta constitui  “afronta a uma educação pública, gratuita, laica e emancipadora; pautada no diálogo e na problematização da realidade, como defendeu Paulo Freire em sua reflexão e prática social”.

O texto do manifesto ainda diz: “A sociedade brasileira não pode permitir tamanho acinte. Tirar de Paulo Freire o título de Patrono da Educação Brasileira, recebido in memoriam, representa impor a ele e a sua obra uma espécie de segundo exílio, tão violento quanto o primeiro (1964-1980)”. Compareceram à audiência na Alepe a secretária de Imprensa Geiza Brasil e o secretário de Políticas Sociais, Racial e de Gênero, Alex Valença.

O Sinproja destaca a importância do trabalho do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Fórum Nacional Popular de Educação, Heleno Aráujo, para a manutenção do título de Paulo Freire.

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