Nota de Repúdio do Coletivo de Combate ao Racismo

Aos assassinatos cometidos por policiais ao estudante João Pedro, no Rio de Janeiro, e ao cidadão norte-americano George Floyd, nos Estados Unidos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município do Jaboatão dos Guararapes/SINPROJA, através do Coletivo de Combate ao Racismo, da Secretaria de Políticas Sociais, vem a público expressar o nosso profundo repúdio aos crimes racistas ocorridos neste último mês de maio. Primeiro, a morte do estudante de 14 anos, João Pedro, morto a tiros dentro de casa, e, conforme laudo médico, atingido pelas costas, em uma operação policial no Complexo do Salgueiro, no estado do Rio de Janeiro. E segundo, a morte do cidadão norte-americano George Floyd, morto por asfixia, em uma abordagem policial em Minneapolis nos Estados Unidos.

Sabemos que a Declaração Universal dos Direitos Humanos nos assegura igualdades sociais, porém, no dia a dia nos deparamos com constantes atos racistas contra a pessoa negra, ainda que 97% dos brasileiros declarem não ter preconceito de cor (El País, 2014). Temos como exemplos o caso do Evaldo Rosa, alvejado por militares, com cerca de 80 tiros, no Rio de Janeiro, em 2019; o João Vitor, rapaz de 18 anos, morto a tiros quando estava recebendo uma doação de cesta básica, também no Rio de Janeiro, no mês passado; a morte de uma criança negra que estava brincando com uma arma de brinquedo nos EUA, no ano de 2014 tantos outros que foram “confundidos” com bandidos ou se enquadraram nos “padrões” de suspeitos da polícia, nas ruas e nos diferentes espaços.

Tal posicionamento evidencia a presença de um racismo disfarçado, a partir da falsa ideia de “democracia racial”, a qual perpassa as diferentes estruturas políticas da nossa sociedade, ainda majoritariamente branca e elitista. Sendo assim, o racismo estrutural condiciona e naturaliza a imagem da pessoa negra a de um suspeito e/ou criminoso frente a diversas situações sociais que envolvem diferentes tipos de pessoas, e é sustentado por atitudes corriqueiras de menosprezo, preconceito, discriminação e até homicídios contra os negros.

Muitos chamam de acidente, erro ou fatalidade, mas sabemos que uma “falha” deixa de ter o significado que tem quando passa a ocorrer com frequência, principalmente envolvendo vidas humanas. Assim como ocorre, continuadamente, com pessoas negras e marginalizadas; assim como aconteceu com várias vidas negras, que foram mortas brutalmente por policiais, antes mesmo de uma possibilidade de defesa.

Segundo recentes dados do Instituto de Segurança Pública, 80% dos mortos por policiais no RJ, no primeiro semestre de 2019 eram pretos e pardos. Nos Estados Unidos, segundo a Organização Mapping Police Violence, apesar de os negros serem apenas 13% da população norte-americana, 26% destes foram mortos por policiais no país, até o ano de 2017. Então, fica a reflexão: será que estamos falando de erro ou de um racismo sistêmico?

Não se trata de acidentes, são os reflexos da desigualdade racial pela qual ainda passamos na sociedade, é o racismo estrutural. Somos diretamente vigiados, abordados, sufocados e mortos pelo simples fato de sermos negros; somos condenados antes mesmo do direito à fala, e em muitos casos, como vimos, a sentença julgada pela injustiça social, é a pena de morte!

Diante do exposto reafirmamos que o Coletivo de Combate ao Racismo do SINPROJA repudia veementemente toda e qualquer forma de racismo e discriminação. E salientamos, ainda, nosso total apoio às manifestações que estão ocorrendo neste momento, seja por meio virtual ou presencial nos EUA, no Brasil e nos diferentes lugares do mundo contra a violência policial e o racismo estrutural.

João Pedro, presente!

George Floyd, presente!

Marielle Franco, presente!

O RACISMO MATA!

VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

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