Editorial: #VaiTerLuta

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A votação do impedimento na Câmara e no senado evidenciaram o que já estava claro desde o início da crise política: no congresso não existe interesse de se combater a corrupção, o interesse maior é pela interrupção do mandato da presidente Dilma. Continua sendo importante lutar contra a disposição das elites econômicas que buscam mudar no tapetão o resultado objetivo de uma eleição ganha nas urnas em 2014, resultado que de alguma forma não lhe interessa. O congresso nacional tornou-se um lamaçal de conservadorismo e negação de direitos, tais congressistas representam no geral as mesmas famílias ricas, brancas, latifundiárias dos tempos do Império.

O impeachment é a justificativa político/jurídica para acelerar os ataques contra os direitos do povo, mais lucro para os donos do agronegócio, extermínio do que restam dos povos indígenas e quilombolas, além de maior precarização das relações de trabalho e menos participação política do cidadão.

A unidade entre a elite nacional, a mídia coorporativa e os agentes políticos deve ser denunciada, pois, busca regatar as experiências privatistas de gestão pública, como fica evidente a cada nova informação sobre a conspiração promovida pelo vice-presidente Michel Temer. O resgate escancarado das privatizações, avanço desenfreado das concessões e Parcerias Público Privadas, entre estes a estratégica entrega do pré-sal brasileiro as petroleiras internacionais, revela o perfil entreguista deste projeto que foi derrotado nas eleições passadas.

A corrupção não deixará de existir, pois todos que costuram o impedimento da presidente estão diretamente ou indiretamente envolvidos nas relações promiscuas entre a política e o capital privado, que financia as eleições. A grande maioria dos que votaram pelo “SIM” aparecem nas listas de financiamento da Odebrecht e estão sendo investigados por processos de corrupção. O maior interesse destes é que com a deposição da Dilma, o comando do novo poder central do país possa promover uma interrupção das investigações da Operação Lava Jato, que além de sofrem uma seria seletividade nas linhas de investigação, já mostra retração de suas ações, pois politicamente já cumpriu seu papel.

É preciso resistir e lutar. Construir um grande esforço para refundar a democracia, propor novas formas de participação da população nas decisões, radicalizar a democracia e a transparência, para ampliar a democracia participativa. E isso em todas as esferas, federal, estadual e municipal. Lutar por isso hoje passa necessariamente por derrotar esse golpe do conservadorismo político brasileiro e forçar nas ruas pela realização de uma profunda reforma política no país.

Entendemos que avançar nas conquistas adquiridas desde a eleição do presidente Lula em 2003, implica em defender o mandato da presidente Dilma, pois teremos enquanto classe trabalhadora maior canal de inserção no atual governo. Assim, sustentados nos fundamentos políticos expostos nesse editorial, defendemos de maneira intransigente a democracia e o Estado Democrático de Direito em sua plenitude. #VaiTerLuta

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