Crise política: a saída é pela democracia, jamais pela ditadura militar

Estamos assistindo, na mídia, ao militar defendendo intervenção das Forças Armadas. Vemos propaganda na internet exaltando o período da ditadura militar no país. Pessoas defendendo que a solução para os graves problemas nacionais é uma intervenção das Forças Armadas. Este momento infeliz da nossa história está servindo, pelo menos, para falar do que aconteceu nos 21 anos de governos militares. Em 1964, a democracia foi interrompida por um golpe militar apoiado e financiado pelos EUA e por empresários. Teve o apoio de políticos conservadores e de uma parte da Igreja Católica. Parecia que este fantasma não voltaria e, por isso,calamo-nos, com exceção dos perseguidos, torturado e das famílias dos assassinados pelos agentes do governo militar. Por falta de ouvir mais, por não ter vivido, nessa época, e pouco estudado, nas escolas, sobre este período de ditadura civil/militar, muitos têm defendido que só um regime sem democracia resolve a crise política, econômica e moral que se agravou com o golpe jurídico/parlamentar, iniciado com a retirada do governo da Presidenta eleita democraticamente, Dilma Rousseff.

 

Muito se fala que o Brasil cresceu economicamente no período da ditadura militar, mas não se sabe que o bolo do crescimento nunca foi repartido com a população. Também se afirma que um governo militar acabaria com a corrupção e com o mau uso do dinheiro público. Na verdade, sabíamos pouco da corrupção, pois não tinha lei de licitação, não tinha Ministério Público investigativo e autônomo, e a grande imprensa compactuava ou estava amordaçada pela ditadura militar. Hoje sabemos, através de pesquisas e depoimentos dos envolvidos, que existiu muita corrupção nos 21 anos de ditadura. Todos esses empresários corruptos da construção civil, investigados na operação Lava Jato, cresceram quando os militares estavam no poder. Naquela época, quem denunciasse o governo ou quem fosse às ruas protestar seria preso, torturado, assassinado pelos aparelhos da repressão, compostos por militares e civis. Boa parte dos recursos financeiros que sustentava estes aparelhos tinha origem nos empresários.

 

Há muitas falhas na nossa democracia, especialmente por ficar restrita à formalidade do voto e sem maior participação do povo nas decisões importantes, como as reformas da previdência e trabalhista, além da crescente desigualdade econômica, em que apenas “seis brasileiros concentram a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobre do país”– a metade da população brasileira, que é 207 milhões (matéria do Jornal EL PAÍS, da Espanha). Porém a solução não é diminuir os poucos espaços democráticos que temos ainda. Pelo contrário, é ampliar e abrir as “caixas pretas” da burocracia nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) para identificar e punir os agentes públicos corruptos que se juntam aos corruptos privados para assaltar o dinheiro público. Num regime militar, as mazelas nacionais permanecerão sob o manto da ditadura, sem a população poder protestar e sem nenhuma informação sobre os desmandos do governo, como aconteceu nos 21 anos em que os militares estiveram no poder. Não podemos repetir este erro. Para barrar o crescimento desta ideia de golpe militar, temos que nos posicionar contra ela, na internet, nos nossos locais de trabalho, de lazer, etc. Não basta ser contra essas ideias sem combatê-las através dos movimentos de rua, das passeatas, das greves.

 

SÓ A LUTA GARANTE NOSSA LIBERDADE, NOSSOS DIREITOS E UM PAÍS IGUALITÁRIO PARA TODOS E TODAS.

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