Conversando com a Base N° 06​​​​​/2017

Na última quinta-feira, 27/09/17, o SINPROJA realizou o SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA: Condições de Trabalho e Perspectivas de Mudança, tendo como palestrantes a Prof.ª Dra. Erika Suruagy/UFRPE e o Prof. Mestrando Paulo Rubem Santiago/UFPE. Na ocasião houve a apresentação de um Vídeo Denúncia, produzido pelo SINPROJA, que contém depoimentos e imagens da realidade do trabalho dos(as) docentes desta área em Jaboatão dos Guararapes.

A Prof.ª Érika Suruagy iniciou fazendo análise da conjuntura atual, destacando os ataques à classe trabalhadora e o descaso governamental com a educação pública, que atinge seriamente o desempenho dos(as) que trabalham o componente curricular Educação Física, tendo em vista os problemas urbanos que invadiram as escolas. Fato esse que também foi constatado através do Vídeo Denúncia, o qual mostrou que a maioria das escolas do município, não dispõe de quadra poliesportiva, e quando tem, grande parte é desprovida de cobertura e sem manutenção adequada, onde os(as) professores(as) de Educação Física são obrigados(as) ao improviso, a criatividade, expostos(as) com seus estudantes, ao sol e a chuva. Em outras escolas, as aulas acontecem em chão batido ou com piso esburacado, em campos de futebol e/ou em meio ao matagal, enfrentando lamaçal e até com dejetos de animais, além de material pedagógico escasso ou inexistente. Tudo isso para exercer a profissão que abraçaram.

Suruagy continuou a palestra afirmando ainda que, os interesses econômicos que buscam a hegemonia do esporte, contribuem para que a Educação Física na escola seja relegada, provocando a migração da prática esportiva para a iniciativa privada, tornando estudantes da escola pública, vítimas de um sistema perverso, que não atende as suas necessidades.

Tratou também sobre a ingerência do Sistema CONFEF/CREFs na atuação dos(as) licenciados(as) em Educação Física das redes públicas da Educação Básica e da luta de movimentos de resistência, deixando claro que é a licenciatura na área a exigência para ministrar esse componente curricular e que não há nenhuma obrigatoriedade de filiação as entidades deste sistema.

Discorreu também sobre a regulamentação da Educação Física no Ensino Fundamental, destacando a distorção pelos governos municipais, na interpretação do Art 31 da Resolução Conselho Nacional de Educação-CNE Nº: 07/2010, e salientou a importância dos docentes com formação específica trabalharem com os anos iniciais.

O Prof. Paulo Rubem Santiago, abordou aspectos ligados Educação, especialmente a Educação Física Escolar, criticando os ataques a esse componente curricular, a supressão da carga horária no Ensino Médio, o deslocamento da docência nos anos iniciais para os(as) professores(as) de referência e, principalmente, o esvaziamento das metas do Plano Nacional de Educação-PNE. Ele apresentou como perspectiva a unidade das entidades sindicais e sociais pela manutenção dos termos da Constituição Federal de 1988 (vinculação de receitas) e em defesa da Lei do Piso Salarial Nacional do Magistério com repercussão na Carreira.

Santiago defende que a Educação física precisa ser vivida na perspectiva de formação integral dos educandos e não apenas como aptidão física. Ele afirmou que temos que ter consciência de que a precarização da docência atinge todas as áreas do conhecimento, evidenciando que é momento de resistir com integração e unidade. Clamou para que, juntos, trabalhadores e trabalhadoras em educação, estudantes, famílias, movimentos sociais e sindicatos ocupem as ruas para dar visibilidade às mazelas educacionais e façam denúncias nos órgãos competentes.
O SINPROJA também levanta esta bandeira. Temos que conquistar a sociedade para abraçar a luta por uma educação pública, gratuita, laica e de qualidade social para os filhos e filhas da classe trabalhadora.

SINPROJA: 24 anos de Luta em Defesa da Educação Jaboatonense.

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