Câmara aprova realização de audiência pública sobre trabalho aos sábados e domingos

Foi aprovado na quinta-feira (16) um requerimento para realização de uma audiência pública com a finalidade de debater o Projeto de Lei (PL) 1043/2019, de autoria do Deputado David Soares, que “dispõe sobre a abertura de agências bancárias aos sábados e domingos”. A iniciativa é do deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

Entidades cutistas que representam os trabalhadores do ramno financeiro participarão da audiência. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), a Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp), a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef) e a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) são algumas das entidades convidadas, além de representante da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Enquanto há países discutindo a redução da carga horária de trabalho, baseados na importância do descanso semanal, não só pela preservação da dignidade do trabalho, mas como da saúde psíquica e qualidade de vida do trabalhador e trabalhadora, parlamentares que não têm nenhum conhecimento do trabalho, da já tão pressionada categoria bancária, tentam manipular a jornada de trabalho dos bancários e bancárias através de um projeto irresponsável”, diz o secretário de Relações do Trabalho e responsável pelo acompanhamento de questões de interesse da categoria no Congresso Nacional pela Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Jeferson Meira, o Jefão.

O dirigente ainda afirmou que haverá pressão para derrubar o PL. “Vamos derrubar esse nefasto PL 1043/19 e pressionar o autor, o deputado David Soares, do DEM-SP, e o atual relator, o deputado Fábio Ramalho, do MDB-MG, para desistirem de mais esse ataque ao nosso direito fundamental ao descanso e lazer aos fins de semana”, afirmou.

“O requerimento do Ivan Valente está na nossa estratégia para enterrar esse projeto, juntamente com o empenho do deputado Paulo Pimenta, do PT-RS, pois são membros e nossos aliados na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) nesse e em outros temas”, completou Jefão.

O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, acredita que o debate do PL 1043, que reduz os direitos e conquista dos bancários, será fundamental para mostrarmos o posicionamento contrário das entidades a esse Projeto.

“Os trabalhadores estão exaustos e adoecidos com tantas metas desumanas, assédio moral e jornadas de trabalho estressantes. Aumentar os dias de trabalho, além de retirar um direito, é expor o trabalhador a mais estresses. O fim de semana é o período que o bancário tem para ficar com a sua família e descansar. Há coisas mais urgentes para se pensar, como a contratação de mais empregados para melhorar o atendimento à população no dia a dia. Já tivemos outros ataques aos nossos direitos como esse anteriormente, a Medida Provisória (MP) 905 e a MP 936 são exemplos. Essas MPs foram derrubadas com a união das entidades representativas e dos trabalhadores, e vamos conseguir novamente”, disse Takemoto.

Para o dirigente sindical e representante do Sindicato dos Bancários de São Paulo no Grupo Nacional da Agenda Legislativa das Centrais Sindicais, Alexandre Caso, esse é mais um projeto elitista, de um lado pretende abrir as agências bancárias aos sábados e domingos com o objetivo de privilegiar a clientela segmentada que já tem atendimento vip; de outro, os bancos vão continuar encaminhando para atendimento pelos correspondentes bancários a maioria dos usuários.

“Hoje, além do atendimento presencial, existem diversos canais de atendimento que suprem todas as necessidades dos clientes sem que seja preciso acabar com o sextou da categoria bancária. Sem dúvida, o quadro de adoecimento vai se tornar mais grave, pois ninguém merece mais pressão por metas e assédio também aos sábados e domingos. A realização de audiência pública é o melhor caminho para que o debate e os dados comprovem que esse projeto não merecer prosperar”, afirnmou Caso.

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