A Economia de olho na Educação: por quê será?

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Heleno Araújo, também participou do Painel Sindical do IX Congresso do SINPROJA, junto com a Presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, deputada Teresa Leitão. O Painel tratou dos ataques que a Educação está sofrendo com medidas como a Reforma do Ensino Médio, a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o projeto Escola Sem Partido. O palestrante questionou os objetivos da Educação, dentro do processo que está em andamento desde o Golpe de 2016. Para ilustrar o tema, o professor apresentou uma resposta a uma coluna publicada pela jornalista econômica Mirian Leitão no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. Na coluna, a jornalista tratava do IDEB como um mapa para que se enxergue os bons exemplos da Educação.

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“Primeiro: como ela vai tratar do tema do ‘IDEB’ na coluna de Economia? Porque vão tratar de Educação no Caderno de Economia? Porque todas as referências que temos nos nossos ombros são da OCDE, órgão da ONU para Desenvolvimento Econômico?”, questionou o palestrante. Ele ressaltou que o Ideb é insuficiente. “É português, matemática e da taxa de aprovação. Não diz nada sobre a qualidade da educação, não dá conta de avaliar. Queremos que seja avaliada a situação sócio-econômica, a estrutura da escola, os processos de valorização dos trabalhadores da Educação” exemplificou.

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Na coluna, a jornalista ressaltou o suposto pioneirismo de Pernambuco com as Escolas Modelo implementadas na primeira década dos anos 2000. O presidente da CNTE denunciou a idealização das Escolas Modelo pelo exemplo concreto enfrentado pela categoria dos trabalhadores da Educação. Tem sido um passo muito menos em direção à educação de excelência e muito mais em direção à terceirização da Educação como forma de privatizar o ensino público.

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As fundações e empresas de educação privadas como a Fundação Lehman a empresa multinacional Kroton e bancos como o Itaú estão diretamente envolvidas com estas novas experiências de gestão da Educação. Todas, juntas, estão contribuindo com a Nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para padronizar um novo modelo de educação com menos reflexão crítica e mais foco em português, matemática e formação profissional. E, tudo feito em Parceria Público Privada, com educação pública terceirizada.

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Este processo está em pleno andamento, já com as empresas e fundações financiando material de formação para professoras e professores de toda a rede pública de ensino. As reformas já são uma realidade e a terceirização está regulamentada. É preciso se dar conta da necessidade de estar mobilizado em cada local de trabalho e resistir na luta. Mas também é fundamental se dar conta de que estamos em período de eleições gerais. É fundamental compreender que as eleições também são uma forma de dizer qual a pauta que nós defendemos.

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“O Congresso Nacional que a gente vai mandar pra Brasília, nestas eleições, é quem vai votar as políticas, a partir do ano que vem. Se forem os mesmos que estão lá, estamos ferrados. Ou a gente renova este processo com nossos representantes, ou estamos destinados ao fracasso na próxima legislatura. Por isso as eleições de 2018 ganham esta importância”, concluiu Heleno Araújo.

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Assista a Live da palestra de Heleno Araújo, no link: https://goo.gl/Tkb74x

Leia a Série completa sobre as mesas do IX Congresso do SINPROJA, no link: https://goo.gl/Hi1YAG

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